domingo, 27 de setembro de 2009

Minha composição.

É dessa forma que me mostro por inteiro; formando palavras, frases e parágrafos, eu te apresento o meu lado mais sincero, as minhas maiores verdades, os meus sentimentos. É dessa forma que, posso afirmar, mostro que não só minha parte física foi entregue a você, mas, principalmente, a parte que não é palpável, apenas sentida – e, neste caso, sentir, pra mim, é transmitir e transmitir é escrever: o que sou, o que penso, e o que sinto, pra você – é mostrar-me em todos os ângulos e vontades, é admitir que me entreguei de ‘corpo e alma’.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

É só saudade.

É que eu sou feita de saudade. Saudade de quem já foi, de quem não veio e do que ficou. Saudade de um sorriso, de um abraço, de um ouvido. Saudade do tempo. Saudade de andar por ai, de correr, pular, de sonhar. Saudade. Saudade de um grito, de um alivio, de uma dor. Saudade doi. Só quem tem saudade é aquele que, pelo menos um dia, olhou pro céu e sorriu involuntariamente - era o ápice da felicidade, era o querer 'parar o tempo' e unir o 'velho' bom o com o novo ótimo. Saudade a gente tem de quem nos faz bem, de quem sorri e do que nos faz sorrir - embora sinta-se saudade das lagrimas e das brigas (isso a saudade cicatriza). Saudade, quem snete é aquele que possui brilho nos olhos e vontade de viver - quem sabe um dia tudo gira e o hoje vira ontem, e o ontem vira hoje. Saudade não se mata, se prorroga. Saudade você sente sem querer e sem saber por que; saudade faz parte da essência. "Saudade a gente tem é dos pedaços da gente que ficaram pelo caminho" e "quem me ver saberá que sou feita só de saudade".

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vida de arquiteto solitário e dependente.

O mundo é feito de contradições, e eu sou mais uma delas. Sempre me contaram que a vida é feita de escolhas, e que cada escolha é uma renúncia. Confesso que nunca entendi bem isso, pra mim tudo era muito simples: ou é ou não é. Aprendi que não era dessa forma, e da “pior maneira”. Desde criança tinha uma meta, talvez a mais clara até hoje, arquitetura seria a minha profissão. E graças a ela eu descobri que tudo tem dois lados e que você tem (obrigatoriamente) escolher um. Até o terceiro ano era tudo muito fácil, era uma proteção exagerada por todos os lados, eram muitas mãos para não te deixar cair, e que se escorregasse te levantavam em um piscar de olhos. Faculdade é sinônimo de independência, ou pelo menos uma tentativa de. Foi o que aconteceu comigo. Após um ano e meio de curso comecei a ver as coisas de outra forma, amadureci bruscamente, mas de maneira tão brusca que nem percebi acontecer. Então, em paralelo com a independência dependente da faculdade, veio a responsabilidade de morar só. Tenho que admitir: nunca pensei que fosse tão complexo. Não que seja difícil, mas complexo mesmo. São muitas decisões ao mesmo tempo, sendo que você não deixa de viver por causa disso, pelo contrario, passa a fazer parte da sua vida, da sua rotina – e que rotina. Por mais que digam que não moro só, eu não me convenci disto ainda, até porque a pessoa que mora comigo, ora é um simples estranho, ora é uma amiga maravilhosa, ora é presente, ora é ausente – e como havia dito: na vida ou é ou não é, meio termo é parte mais difícil de se encontrar, e nesse caso não existe, pois ou você ama ou não, não existe “meio amar”. Tomar conta de uma casa, tentar deixá-la em ordem, e continuar a ter vida normal é tarefa para heróis, geralmente heroínas. Agora, de maneira perpendicular a independência dependente da faculdade, e a responsabilidade de morar só, vem a falta de dependência financeira. E cá pra nós, essa é a pior parte. Ao mesmo tempo em que você pode tudo, você não pode nada, afinal quem vai pagar não é você, tenha certeza. Cada dia que passa mais entra na minha cabeça que dinheiro não trás felicidade, não é tudo na vida, mas que é essencial e que tudo fica mais fácil e simples com ele, isso é fato. Acompanhe o raciocínio: a faculdade é particular, a faculdade é de arquitetura o que implica em milhões de trabalhos de custo elevado, para chegar até a faculdade é necessário um meio de locomoção – neste caso, um carro – e seja qual for, este precisa de gasolina (o que também, nos dias atuais, não é nada barato), em paralelo vem a necessidade de ter algo para comer, vem o que uns diriam que é fútil, mas eu prefiro chamar de higiene e cuidado com a aparência: fazer as unhas. E tangente a tudo isso, vem a vida social. Antes de fazer arquitetura, nenhum arquiteto me contou que quem escolhe essa profissão deixa de ter vida social, e se não deixa sofre uma queda brusca. Pode por brusca nisso. E não existe melhor satisfação do que entregar um trabalho e depois sair simplesmente para dizer: acabei, ufa. É um alivio indescritível e um prazer absurdo. Enfim, quer saber o resultado dessa geometria toda? Vai tentar dormir, que você descobre. Seus dedos viram maquina de calcular e sua hora que deveria ser sagrada para descansar, vira a hora de somar, dividir, multiplicar, subtrair, organizar, planejar e fazer um cronograma enorme que envolve: finanças, faculdade, vida social, saúde, e sono. E te digo, este ultimo é o que mais sofre. Agora a confissão mais dolorosa: ser adulto é COMPLICADO demais, para minha cabeça adolescente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Terra e mar.

Tudo é relativo, tudo é questão de ponto de vista. Há muito mais entre sólido e líquido do que se possa imaginar. Aquele que afirma que céu, terra e mar são coisas completamente distintas não sabe o tamanho do engano que leva consigo – o sol dorme quando a lua acorda, a lua dorme pro céu acordar, fazendo, assim, esquentar a terra e o mar, sempre.

São ondas que vem e vão; é o grão de areia coberto pela água em conjunto com o sal que alimenta todos os dias aquele que possui o prazer de sentir na pele, o cheiro, o gosto, ver e ouvir o mundo que há por baixo do ir e vir das águas.

O mar é uma cidade. Uma cidade daquelas que nunca dormem. Permita-se tal analogia: suas pedras, sua areia, ajudam a compor certa base sólida que absorve todo o tipo de matéria – alimento, lixo, naufrágios; coisas úteis e inúteis – seus caminhos não precisam de divisões e indicações de sentido, muito menos orientação, seus moradores sabem ao nascer a se guiar pela sua sensibilidade; as construções são donas de um colorido único, e de um bom gosto absurdo, cada coral tem sua importância neste mundo existente embaixo do nariz das ondas – suas conchas reproduzem, até o fim, o som tranqüilizador (outras conchas, aquelas que se abrem, trazem consigo jóia rara – essas ‘construções’ vivem em sintonia com o seu contexto, e na falta delas a ‘cidade mar’ seria incompleta e saberia o que é viver sem alegria; não se pode esquecer dos moradores: do cavalo-marinho, da pinauna, da estrela do mar (que o faz cantar), dos peixinhos e dos peixões, golfinhos e tubarões, muito menos das baleias a nadar distribuindo encanto pelo mar.

Entende-se, então, que terra não é propriamente o solido que permite andar com firmeza todos os dias, a terra também pode ser mar – e é. Um é, diretamente, dependente do outro: terra sem água, resseca, morre, não tem função, água sem terra não tem fundo, não tem base, não se estrutura e vaza.

O liquido preenche o solido, um precisa do outro; sem o solido, o liquido escorrega, é absorvido, e deixa de existir; sem o liquido, o solido é vazio e incompleto , existe, mas não vive.

Deite na terra e direcione o olhar em linha reta, agora diga o que vê: um céu azul, azul da cor do mar. Ora! O azul envolve, contorna, mas, apesar disso, não limita – faz o inverso: apresenta o horizonte, o querer insaciável e infinito que é capaz de mover (e move) qualquer ser humano.

domingo, 16 de agosto de 2009

Eu tinha resolvido ficar.

Sempre, em algum momento, você vai ter que escolher entre ir ou ficar. E tenha certeza, qualquer um deles vai magoar alguém e vai mudar sua vida bruscamente. Eu, particularmente, escolhi ficar. Talvez uns achem falta de coragem, ou comodismo, talvez outros achem independência e determinação. Mas o que importa é o que se passa dentro de mim, mais nada, e se me perguntarem o que eu acho: eu acho falta de coragem e acho determinação. Fiquei no meio. Acho uma decisão indecisa, mas cheia de vontade de arriscar. Confuso, eu sei. Dizem que quem não arrisca não petisca, e provavelmente seja nisso que eu tenho me agarrado pra tomar certas decisões. De um lado o colo eterno e cheio de carinhos de pessoas que me protegerão de tudo e de todos, sempre. Do outro, pessoas que me emprestam seus colos e seus ombros, seus choros e suas risadas, mas que de certa forma me mostraram que se eu cair vai depender de mim querer levantar, ou não. No final, todos nós nos separaremos, pais e filhos, irmãos e irmãs, os laços continuaram intactos, mas a ausência aumentará agora ou mais tarde. Resolvi dar inicio nela agora, em uma ausência cheia de presença, resolvi ficar. Sei que quem ficou longe um dia vai entender, e vai ter orgulho. Sei que em quem ficou longe vai doer, vai apertar, mas irá se conformar. Somos criados para o mundo e para as nossas próprias decisões. Resolvi me apresentar ao mundo. Resolvi me mostrar, resolvi tapas levar. Decidi por mim, pela minha felicidade, mesmo que custem algumas lagrimas em outros, e por mais que soe um pouco egoísta: decidi poupar algumas das minhas lagrimas. Ficarei comigo, com minhas certezas e incertezas, com minhas alegrias e tristezas, com meus amores e amigos, com o meu dia a dia e a minha rotina, com meu aprendizado continuo, com minhas dores e flores, com meu lirismo e romantismo, com minhas conquistas que serão infinitas enquanto durem, com minhas conquistas que serão infinitas para sempre. Ficarei com minha sinestesia. Ficarei com meu onirismo e meu sorriso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ready-made

O termo, ready-made, que fazendo a sua tradução literal “pré-feito” – chamado, dentro da publicidade, como “já pronto” – foi criado por Marcel Duchamp, e sua primeira obra, seguindo esse conceito, foi criada em 1913 (uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho – tendo a obra o título de “roda de bicicleta”), porém exposta, e apresentada como ready-made, apenas dois anos depois. A idéia que cada ready-made traz consigo é um pouco parecida com a essência do dadaísmo, onde ambas desejam expor que ‘arte’ para ser considerada arte faz necessária, apenas, uma assinatura e um local de exposição.

Em outras palavras, o ready-made é criado a partir de objetos que, ao primeiro olhar, realmente, não têm nenhum valor estético e, justamente, por isso interessam e são retirados do contexto no qual estão inseridos e transpostos a outras condições, e outras “utilidades” tendo como resultado final uma obra de arte. É necessário que se perceba que a arte criada no ready-made, e no dadaísmo, é feita para mostrar ao publico que arte não é apenas aquilo que é determinado pelas galerias, escolas e por outros artistas; arte é aquilo que cada um faz, e consegue transformar, desde coisas do cotidiano até grandes quadros (sendo que nem estes fugiram da arte de Duchamp, o quadro de Leonardo da Vinci, Mona Lisa, tornou-se fruto de um dos famosos ready-mades: onde Marcel Duchamp colocou bigode e um cavanhaque na dama, seguidos de uma frase abreviada que tinha escrito – em francês: “ela tem fogo no rabo”).

Entretanto, essa intenção de provar que arte não é apenas aquilo que todos estão acostumados a ver em museus e exposições de renome na história, teve início com a proposta Kantiana de mostrar que a estética não era tudo em uma obra de arte. Antes de qualquer coisa, fazia-se necessário ter um conceito, um objetivo, não apenas que fosse belo – o qual Kant deixa claro que vai muito além do que é perceptível ao olhar humano, ela envolve todos os sentidos, todo o contexto; beleza não está diretamente ligado a estética, muito menos a arte; beleza é sinestésico, assim como as obras de arte.

Atualmente, o conceito ready-made apresentado por Duchamp é utilizado nos mais diversos meios, entre eles, encontramos a publicidade – onde criadores e redatores buscam frases, textos, imagens e musicas que já foram expostas, e aplicam a elas uma outra “função”, inserem-nas em um outro contexto, conseguindo desta forma prender a atenção do seu publico alvo. Assim pode ser comprovado a união entre as artes e a comunicação: “Se lembrarmos que a intenção de Duchamp com seus ready-mades era anestesiar os objetos esteticamente, não nos parece exagerado cogitar que o ‘já pronto’ é adotado pela publicidade para anestesiar a memória do publico, ratificando os valores e as crenças do grupo social que enuncia a mensagem. Associar um produto, serviço ou marca a um enunciado fundador – que tem o status de citação de autoridade – é, certamente uma ótima tática para influenciar os consumidores”.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu não sei, só sei que foi assim.

Só sei que é assim. As coisas vem e vão e o que nos resta é a saudade. É a falta que faz, é a vontade de quero mais. Fechar os olhos e ver tudo, exatamente, como um filme sem poder entrar nele novamente, ter que esperar o próximo capitulo. Conversar com o tempo e tentar convencê-lo de que ele está errado: quando é pra passar rápido, passa devagar, quando é pra passar devagar, passa rápido demais. Assistir o relógio contar as horas e você o minuto, assistir seus próprios momentos de nostalgia e sorrir, sorrir e rir.

domingo, 19 de julho de 2009

Meu sol.

Todo dia vou dormir com um sol me observando. Ele é dono de dois olhos extremamentes bem desenhados, como fossem feitos por um compasso, e bem pintados de preto. São fixos. Todo dia encaro aquele que me observa, aquele que diz saber o que penso durante os sonhos. Toda noite, ao me olhar, me conta uma nova história sobre mim mesma. Toda noite, divide comigo, os meus próprios pensamentos e me estimula a escrevê-los. É um sol bem amarelo - talvez por isso tamanha simpatia com tal objeto, talvez culpa desta nossa leve semelhança. Existem aqueles que têm amigos imaginários, não eu. Tenho um sol presente nas minhas noites, e que nada sai da sua sorridente boca, mas que é responsável (e co-autor) de diversas histórias que alimentam a mente que o encara. É, realmente, possível afirmar que essa rotina, um pouco meio que autista, tem lá o seu "Q" de interessante. Quando, na santa imaginação, poderia-se prever um ser estimulado por um "sol"?! Pelo racional, nunca. Mas não sou movida pela razão, nunca fui e não faço esta questão. Não julgo quem a faz. Entretanto, talvez sejam as palavras, o meu lado racional - o outro, o que me move, este, é o que conversa com o simpático sol amarelissímo e que entende que é necessário transbordar conjuntos e mais conjuntos de letras, para que assim, desta maneira, aqueles que invertem a lógica apresentada (aqueles que são a razão em forma de gente) consigam entender que sentir, e sonhar vale mais do que qualquer criação lógica e previsível.

Tudo vem do nada

São coisas simples, tão simples que são complexas. Contraditório, mas é fato. Poucos são aqueles que têm a sensibilidade de olhar para o nada e enxergar o tudo. Poucos são os que vêem colorido onde está pintado de cinza. Talvez indague como – não é questão, apenas, de imaginação, vai além – talvez olhar o céu acizentado, com cor de tristeza, e pigmentá-lo com doses de saudade, carinho, amor e nostalgia, seja suficiente para perceber que atrás daquela falta de cor, diluída na mistura da união de todas as cores, para perceber que nuvens ultrapassam todas as letras expressas em conjunto nos livros, e todas as palavras ditas ao vento.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A beleza está nos olhos de quem vê.

Todos os homens são iguais, todos os homens têm o mesmo poder de raciocínio. O homem é animal racional. Tendo poder sobre a razão, sabendo utilizá-la, qualquer sujeito é capaz de obter o conhecimento universal e necessário das coisas. O "conhecer" está ligado às sensações que por ai existem, porém estas não são estritamente necessárias.

Anterior a Immanuel Kant, a beleza, para ser alcançada, fazia necessária a existência de um conceito. Não apenas existir, ao contrario, para poder existir era preciso estar embasada em algum conceito. Para Kant uma coisa era "conceito" e outra, completamente diferente, chamava-se "estética" (percepção ao sensível) e para tal não existe nenhum conceito que defina o que é ou não belo, o que define a qual categoria de beleza algo se encaixa são os sentimentos pessoais de prazer ou não. Talvez seja, importante explicar a diferença entre "sentimento" e "sensação" segundo a linha Kantiana, "sentimento": está diretamente ligado a autopercepção do homem, pode-se dizer que o momento determina o sentimento; "sensação": encaixa-se nos sentidos pertencentes ao homem quando em contato com o mundo exterior. Kant dividiu o prazer em três espécies, a primeira: agradável, está diretamente ligado ao conceito de "sensação" imposto por Kant; a segunda: bom, onde entra o prazer moral, absoluto ou até mesmo relativo; e a terceira: beleza, não tem ligação com nenhum conceito e com nenhuma sensação, ou seja, é desinteressada, é um juízo de gosto puro. Os dois primeiros tipos de prazer (agradável e bom) estão intrínsecos ao mundo material, e na arte essa certeza que as coisas materiais, e palpáveis, passam, não é considerada como fonte de prazer. O que faz algo ser belo é a maneira que a contemplamos em si, não a sua carga conceitual. O prazer ligado ao belo, segundo Kant, nasce da relação entre a imaginação e o entendimento. Sendo que a primeira é responsável diretamente pela produção de imagens na mente do ser humano, e pela intuição, e a outra é dona da produção de conceitos. Posto isso, quando algo é belo, sua beleza não é dada pela sua materialidade, e sim pela sua forma, pela maneira que cada ser contempla tal coisa. As sensações que as coisas materiais passam para cada um não são relevantes, não determinam a beleza de algo, mas sim os sentimentos causados, a contemplação causada. Entretanto, é necessário existir na sua forma, para torna-se bela, uma finalidade que não deixe transparecer o seu fim determinado.

"Conforme a fim", segundo Kant, esta conformidade se direciona quando o conceito existente é pensado e analisado para tornar-se causa, para ser o motivo real da existência de algo. Mesmo havendo um conceito, não se percebe o fim a que o objeto está direcionado. Apesar disto, a causalidade continua dominando a beleza; a conformidade a fim é dada não através da busca através da imaginação pelo entendimento, mas sim pela reflexão natural, pelo sentimento - o qual não se pode achar uma linha lógica para poder-se explicar, o qual onde os conceitos embora existam, simplesmente jamais se encaixarão. O que determina a beleza infinita de um objeto, não o próprio em si, mas sim o seu observador, o sujeito utiliza o dom de sentir, de obter um sentimento relativo à para poder determinar a beleza de um dado objeto. O fato de ser belo não é qualidade, em si, mas antes de tudo é ser reconhecida pela percepção de cada um. A imaginação ao conseguir estruturar e unificar as milhares de partes que foram fragmentadas pela materialidade das sensações, e mesmo unificadas não ser possível descobrir o conceito que rege a sua causalidade, pode-se dizer então que a "imaginação" e o "entendimento" estão em simetria e esta tende a se manter, apenas para que o sentimento de prazer continue apenas por ser prazeroso. Esta relação é chamada, por Kant, de "livre jogo", pois os dois lados cedem de maneira equilibrada sem nenhuma forma de submissão - conseguindo deixar os dois lados com o mesmo nível de importância. Apesar da imaginação ser completamente livre, não está liberta de ter nenhuma influencia.

Kant afirma que o juízo de gosto não é baseado em conceito algum. Isto se deve ao fato de que para ser belo é necessário ser puro, e para ser puro não se pode ter embasamento algum em cima de qualquer conceito, nem ao seu fim, muito menos se sua intenção foi alcançar a perfeição. Immanuel Kant dividiu a beleza em dois aspectos: a beleza livre e a beleza aderente. A primeira ele relaciona com a própria natureza, com as músicas sem letra, com coisas que "não representam nada", que não estão sob um determinado conceito. A beleza aderente se encaixa onde se pressupõe um conceito de que o objeto "seja", ou a sua perfeição, ou até mesmo que o objeto "seja" e alcance a sua perfeição, para esta Kant dá o exemplo do próprio ser humano, ou de uma construção. Acontece que em algumas situações são encontradas as duas belezas juntas, em paralelo, mas é necessário ressaltar que o juízo de gosto antecede qualquer outro juízo. Dando-se que o plano a ser trabalhado é da lógica e não o temporal, possibilitando, assim, a simultaneidade do sentimento de prazer com o reconhecimento do objeto, não tirando do objeto a sua pureza por ter-se buscado o entendimento - não se torna necessário descobrir o fim de um objeto para julgá-lo belo ou não, o livre jogo se mantém. O que faz diferença entre os dois tipos de beleza na verdade é simplesmente o seu conceito de fim, se o objeto teve ou não finalidade de tornar-se aquilo que é. Apesar de algo ter um "conceito de fim" este pode-se vir a ser um objeto dono de uma conformidade a fim sem fm, ou seja, o objeto pode ser trabalhado, diferente de outros que sigam sua mesma linha, mas o seu conceito e a sua finalidade continuam iguais, apenas muda a sua forma de concepção.

Conformando-se ao conhecimento de um objeto possível, a Arte cumpre somente as operações necessárias para realizá-lo, diz-se que ela é a Arte mecânica; se, porém, tem por fim imediato o sentimento do prazer, é a Arte estética. Esta é a Arte aprazível ou bela. Arte é aprazível quando sua finalidade é fazer que o prazer acompanhe as representações enquanto simples sensações; é bela quando o seu fim é conjugar o prazer às representações como forma de conhecimento” Immanuel Kant.

sábado, 27 de junho de 2009

Um só riso.

Um só riso, um sorriso. Um, mas milhares. Só, mas junto. Riso e sorriso. Palavras, as vezes, precisam ser traduzidas para que se mostrem por inteiro, para que seja possível perceber o seu real significado. Palavras para serem completas precisam de imaginação. Sorriso, talvez seja um só riso, entretanto um só riso é capaz de mudar o andar de um dia, um estado de espírito, de melhorar de forma imprevisível qualquer coisa.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Querer, um verbo insaciável e infinito.

Querer. Pela gramática: verbo transitivo direto, ou seja, necessita de um complemento. O que angustia é o fato desse complemento nunca parecer completo. É certo que essa é uma enorme contradição, mas nem sempre o complemento é realmente aquilo que, realmente, falta. Querer, deveria ser em vez de transitivo direto, transitivo infinito. Talvez grande parte concorde que ao alcançar aquilo que é desejado a pessoa torna a querer mais alguma coisa. Logo, apesar do complemento, ela não esta completa. Dois bons exemplos para tanto complemento e para tanto querer são: se você quer muito alguém e consegue conquistá-lo, o seu desejo de querer passa a ser que aquilo continue – que seja infinito enquanto dure; ou então se você quer muito um emprego e o consegue, você passa a querer ser mantido nele e ser promovido – quando possível, e que esse possível seja logo. Talvez não seja por um simples acaso que Edgard Scandurra tenha escrito uma música com o titulo de: “Eu quero sempre mais”, possa ser que ele já tenha percebido que o ser humano é insaciável.

A madrugada castiga aqueles que nela insistem permanecer de olhos abertos, ela foi feita para dormir. Por isso, talvez, seja o momento em que o homem reflete mais sobre sua vida, e todas as frases que se passam na sua mente têm inicio com o verbo: querer. O próprio desejo de dormir, já é um querer. Apesar de insaciável, o querer permite que jamais se estacione. O querer exige o movimento, a vontade de viver, de crescer, de mudar e de inovar. Então, pela lógica, querer além de ser insaciável, é evolução, é uma metamorfose ambulante. Aquele que já não quer, não vive. Simplesmente existe. O ser humano não foi feito apenas para existir, pois quem existe é apenas mais um, e se o homem é o único dos animais quem tem o poder da fala e do raciocínio, com certeza não foi feito para ser apenas mais um. Há quem diga que querer – quereria, queria, quero, querei, quererei – é enfático demais. Melhor seria afirmar que este é um dos, se não o mais, verbos mais imponentes da língua portuguesa.

Enfim, já que querer é mudança constante, uma vontade que não tem fim, pode-se dizer, e escrever, com todas a letras que o verbo querer é sim um verbo infinito. Aquele que não tem complemento suficiente para complementá-lo. Leva a organizar idéias, desejos e vontades, obriga a achar soluções para poder ser saciável. Impõe outros verbos e outras ações a se encaixarem ao seu complemento. Traduz de forma clara e simples que todo o período de existência de uma vida, na verdade é um simples e complexo querer. Um querer infinito.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O acelerar do coração

Existem coisas que não são possíveis de descrever. Existem coisas que, infelizmente ou felizmente, só podem ser sentidas. Como explicar o acelerar do coração com um simples cheiro, com um desacelerar da rotina, com uma frase, com uma melodia, com uma imagem, com um sorriso?! Só quem sente pode entender o que está aqui escrito, só quem se permite envolver consegue isso. Talvez o fato de não ser completamente normal, e um pouco meio que doida, ajude a explicar essa confusão de sentimentos (que fique claro, todos estes bons). Permitir-se viver o novo, conviver com a saudade, e arriscar-se em um caminho completamente diferente, talvez sejam as melhores decisões que se possa tomar quando a palavra da vez é: o inesperado. Talvez, dizer que “meu coração é um músculo involuntário, e ele pulsa por você” seja a melhor maneira de explicar a paixão e o adorar que nasceram sem intenção, que surgiram do inesperado.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Carta importante sem carimbo.

Ao meu amado pai,

Primeiramente peço-lhe desculpas pela falta de carimbo oficial, pois a questão a ser tratada nesta carta é de caráter extraordinário. Comecemos do principio: minha casa, minha mala. Peço que preste bastante atenção nesta frase, pois é de entendimento crucial para o decorrer do assunto.

Depois de algum tempo você começa a perceber que sua casa, seu canto, é onde você é feliz, correto?! Correto. Se voltássemos exatamente um ano atrás, eu diria a você que meu canto é nesta cidade de litoral farto de ondas e grãos de areia, coqueiros e barracas. Entretanto, cheguei a conclusão que o meu canto é o mundo. Permita-me explicar tal afirmação: há algum tempo venho pensando e me perguntando onde é, realmente, a minha casa (favor não entender errado) e depois de muita especulação, e muita observação, descobri que minha casa é a minha mala, é onde eu quero que seja.

Diria que antes de sair do litoral eu, bateria o pé, mas não sairia por nada deste lugar. Após minha mudança, diga-se de passagem meio que repentina, descobri que não estou presa mais a lugar nenhum, e que, se capaz for, mudo até de planeta. Claro que não me refiro a ficar brincando de nômade pela vida, muito menos de cigano, mas sim de mudar pra crescer, pra incrementar. Qualquer lugar que vá, contando que seja útil, principalmente, para o crescimento acadêmico e profissional, é de grande valia.

Tendo introduzido o assunto, vamos ao que interessa: quero ir morar fora – e dessa vez eu estou falando mais do que sério. Argumentos eu tenho de sobra, a começar pelo histórico familiar, se é que é possível me entender (caso não seja, avise-me que discorro rapidamente sobre tal), não esquecendo, jamais, da tamanha experiência de vida – a que conta, principalmente, para o amadurecimento dos jovens e adultos, e para a vida profissional de qualquer pessoa.

Entretanto, para não queimar todos os meus cartuchos de uma vez só, não serei tola o suficiente de dizer tudo que planejo nesta pagina, necessito primeiro de uma resposta sua. Não quero que diga, agora, após ler a carta, se vou amanhã, quero que me diga se posso continuar a conversar sobre o assunto e se meus anseios são possíveis de atender em um curto espaço de tempo.

Aguardo, ansiosa, uma resposta.

Rafaela Giudice (sua filha mais nova e cheia de direitos)

domingo, 21 de junho de 2009

Minha casa, minha mala.

Depois de um tempo você começa a perceber que tudo na sua vida depende, exclusivamente, de você - até porque é a sua vida. Não pretendo afirmar que no decorrer dos fatos não se torne necessário a ajuda (seja ela qual for, de financeira à moral) de outrem. Entretanto, as escolhas são totalmente fruto do seu querer, da sua vontade, ou não. Começa a perceber que depois de morar sozinho, mudar de estado, de faculdade, você deixa de ser preso a alguém, ou a algo. Percebe que pra conseguir concretizar qualquer desejo, você é capaz de mover o mundo.
Este, que desejas mover com unhas e dentes a favor da sua realização, é de tamanho infinito e, este sim, é sua casa. Lhe dá tudo que necessita para seguir em frente, e caso aconteça, para voltar atrás também. Na minha mala cabe tudo de que necessito, o amor que preciso levo dentro do meu corpo com sorriso estampado no rosto, afirmando a cada esquina que não tenho mais um lugar meu, agora eu tenho varios lugares dispostos a se tornarem meus - basta que eu decida, que eu deseje e que realize.