Ao meu amado pai,
Primeiramente peço-lhe desculpas pela falta de carimbo oficial, pois a questão a ser tratada nesta carta é de caráter extraordinário. Comecemos do principio: minha casa, minha mala. Peço que preste bastante atenção nesta frase, pois é de entendimento crucial para o decorrer do assunto.
Depois de algum tempo você começa a perceber que sua casa, seu canto, é onde você é feliz, correto?! Correto. Se voltássemos exatamente um ano atrás, eu diria a você que meu canto é nesta cidade de litoral farto de ondas e grãos de areia, coqueiros e barracas. Entretanto, cheguei a conclusão que o meu canto é o mundo. Permita-me explicar tal afirmação: há algum tempo venho pensando e me perguntando onde é, realmente, a minha casa (favor não entender errado) e depois de muita especulação, e muita observação, descobri que minha casa é a minha mala, é onde eu quero que seja.
Diria que antes de sair do litoral eu, bateria o pé, mas não sairia por nada deste lugar. Após minha mudança, diga-se de passagem meio que repentina, descobri que não estou presa mais a lugar nenhum, e que, se capaz for, mudo até de planeta. Claro que não me refiro a ficar brincando de nômade pela vida, muito menos de cigano, mas sim de mudar pra crescer, pra incrementar. Qualquer lugar que vá, contando que seja útil, principalmente, para o crescimento acadêmico e profissional, é de grande valia.
Tendo introduzido o assunto, vamos ao que interessa: quero ir morar fora – e dessa vez eu estou falando mais do que sério. Argumentos eu tenho de sobra, a começar pelo histórico familiar, se é que é possível me entender (caso não seja, avise-me que discorro rapidamente sobre tal), não esquecendo, jamais, da tamanha experiência de vida – a que conta, principalmente, para o amadurecimento dos jovens e adultos, e para a vida profissional de qualquer pessoa.
Entretanto, para não queimar todos os meus cartuchos de uma vez só, não serei tola o suficiente de dizer tudo que planejo nesta pagina, necessito primeiro de uma resposta sua. Não quero que diga, agora, após ler a carta, se vou amanhã, quero que me diga se posso continuar a conversar sobre o assunto e se meus anseios são possíveis de atender em um curto espaço de tempo.
Aguardo, ansiosa, uma resposta.
Rafaela Giudice (sua filha mais nova e cheia de direitos)

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