Todo dia vou dormir com um sol me observando. Ele é dono de dois olhos extremamentes bem desenhados, como fossem feitos por um compasso, e bem pintados de preto. São fixos. Todo dia encaro aquele que me observa, aquele que diz saber o que penso durante os sonhos. Toda noite, ao me olhar, me conta uma nova história sobre mim mesma. Toda noite, divide comigo, os meus próprios pensamentos e me estimula a escrevê-los. É um sol bem amarelo - talvez por isso tamanha simpatia com tal objeto, talvez culpa desta nossa leve semelhança. Existem aqueles que têm amigos imaginários, não eu. Tenho um sol presente nas minhas noites, e que nada sai da sua sorridente boca, mas que é responsável (e co-autor) de diversas histórias que alimentam a mente que o encara. É, realmente, possível afirmar que essa rotina, um pouco meio que autista, tem lá o seu "Q" de interessante. Quando, na santa imaginação, poderia-se prever um ser estimulado por um "sol"?! Pelo racional, nunca. Mas não sou movida pela razão, nunca fui e não faço esta questão. Não julgo quem a faz. Entretanto, talvez sejam as palavras, o meu lado racional - o outro, o que me move, este, é o que conversa com o simpático sol amarelissímo e que entende que é necessário transbordar conjuntos e mais conjuntos de letras, para que assim, desta maneira, aqueles que invertem a lógica apresentada (aqueles que são a razão em forma de gente) consigam entender que sentir, e sonhar vale mais do que qualquer criação lógica e previsível.
domingo, 19 de julho de 2009
Tudo vem do nada
São coisas simples, tão simples que são complexas. Contraditório, mas é fato. Poucos são aqueles que têm a sensibilidade de olhar para o nada e enxergar o tudo. Poucos são os que vêem colorido onde está pintado de cinza. Talvez indague como – não é questão, apenas, de imaginação, vai além – talvez olhar o céu acizentado, com cor de tristeza, e pigmentá-lo com doses de saudade, carinho, amor e nostalgia, seja suficiente para perceber que atrás daquela falta de cor, diluída na mistura da união de todas as cores, para perceber que nuvens ultrapassam todas as letras expressas em conjunto nos livros, e todas as palavras ditas ao vento.
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