terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vida de arquiteto solitário e dependente.

O mundo é feito de contradições, e eu sou mais uma delas. Sempre me contaram que a vida é feita de escolhas, e que cada escolha é uma renúncia. Confesso que nunca entendi bem isso, pra mim tudo era muito simples: ou é ou não é. Aprendi que não era dessa forma, e da “pior maneira”. Desde criança tinha uma meta, talvez a mais clara até hoje, arquitetura seria a minha profissão. E graças a ela eu descobri que tudo tem dois lados e que você tem (obrigatoriamente) escolher um. Até o terceiro ano era tudo muito fácil, era uma proteção exagerada por todos os lados, eram muitas mãos para não te deixar cair, e que se escorregasse te levantavam em um piscar de olhos. Faculdade é sinônimo de independência, ou pelo menos uma tentativa de. Foi o que aconteceu comigo. Após um ano e meio de curso comecei a ver as coisas de outra forma, amadureci bruscamente, mas de maneira tão brusca que nem percebi acontecer. Então, em paralelo com a independência dependente da faculdade, veio a responsabilidade de morar só. Tenho que admitir: nunca pensei que fosse tão complexo. Não que seja difícil, mas complexo mesmo. São muitas decisões ao mesmo tempo, sendo que você não deixa de viver por causa disso, pelo contrario, passa a fazer parte da sua vida, da sua rotina – e que rotina. Por mais que digam que não moro só, eu não me convenci disto ainda, até porque a pessoa que mora comigo, ora é um simples estranho, ora é uma amiga maravilhosa, ora é presente, ora é ausente – e como havia dito: na vida ou é ou não é, meio termo é parte mais difícil de se encontrar, e nesse caso não existe, pois ou você ama ou não, não existe “meio amar”. Tomar conta de uma casa, tentar deixá-la em ordem, e continuar a ter vida normal é tarefa para heróis, geralmente heroínas. Agora, de maneira perpendicular a independência dependente da faculdade, e a responsabilidade de morar só, vem a falta de dependência financeira. E cá pra nós, essa é a pior parte. Ao mesmo tempo em que você pode tudo, você não pode nada, afinal quem vai pagar não é você, tenha certeza. Cada dia que passa mais entra na minha cabeça que dinheiro não trás felicidade, não é tudo na vida, mas que é essencial e que tudo fica mais fácil e simples com ele, isso é fato. Acompanhe o raciocínio: a faculdade é particular, a faculdade é de arquitetura o que implica em milhões de trabalhos de custo elevado, para chegar até a faculdade é necessário um meio de locomoção – neste caso, um carro – e seja qual for, este precisa de gasolina (o que também, nos dias atuais, não é nada barato), em paralelo vem a necessidade de ter algo para comer, vem o que uns diriam que é fútil, mas eu prefiro chamar de higiene e cuidado com a aparência: fazer as unhas. E tangente a tudo isso, vem a vida social. Antes de fazer arquitetura, nenhum arquiteto me contou que quem escolhe essa profissão deixa de ter vida social, e se não deixa sofre uma queda brusca. Pode por brusca nisso. E não existe melhor satisfação do que entregar um trabalho e depois sair simplesmente para dizer: acabei, ufa. É um alivio indescritível e um prazer absurdo. Enfim, quer saber o resultado dessa geometria toda? Vai tentar dormir, que você descobre. Seus dedos viram maquina de calcular e sua hora que deveria ser sagrada para descansar, vira a hora de somar, dividir, multiplicar, subtrair, organizar, planejar e fazer um cronograma enorme que envolve: finanças, faculdade, vida social, saúde, e sono. E te digo, este ultimo é o que mais sofre. Agora a confissão mais dolorosa: ser adulto é COMPLICADO demais, para minha cabeça adolescente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Terra e mar.

Tudo é relativo, tudo é questão de ponto de vista. Há muito mais entre sólido e líquido do que se possa imaginar. Aquele que afirma que céu, terra e mar são coisas completamente distintas não sabe o tamanho do engano que leva consigo – o sol dorme quando a lua acorda, a lua dorme pro céu acordar, fazendo, assim, esquentar a terra e o mar, sempre.

São ondas que vem e vão; é o grão de areia coberto pela água em conjunto com o sal que alimenta todos os dias aquele que possui o prazer de sentir na pele, o cheiro, o gosto, ver e ouvir o mundo que há por baixo do ir e vir das águas.

O mar é uma cidade. Uma cidade daquelas que nunca dormem. Permita-se tal analogia: suas pedras, sua areia, ajudam a compor certa base sólida que absorve todo o tipo de matéria – alimento, lixo, naufrágios; coisas úteis e inúteis – seus caminhos não precisam de divisões e indicações de sentido, muito menos orientação, seus moradores sabem ao nascer a se guiar pela sua sensibilidade; as construções são donas de um colorido único, e de um bom gosto absurdo, cada coral tem sua importância neste mundo existente embaixo do nariz das ondas – suas conchas reproduzem, até o fim, o som tranqüilizador (outras conchas, aquelas que se abrem, trazem consigo jóia rara – essas ‘construções’ vivem em sintonia com o seu contexto, e na falta delas a ‘cidade mar’ seria incompleta e saberia o que é viver sem alegria; não se pode esquecer dos moradores: do cavalo-marinho, da pinauna, da estrela do mar (que o faz cantar), dos peixinhos e dos peixões, golfinhos e tubarões, muito menos das baleias a nadar distribuindo encanto pelo mar.

Entende-se, então, que terra não é propriamente o solido que permite andar com firmeza todos os dias, a terra também pode ser mar – e é. Um é, diretamente, dependente do outro: terra sem água, resseca, morre, não tem função, água sem terra não tem fundo, não tem base, não se estrutura e vaza.

O liquido preenche o solido, um precisa do outro; sem o solido, o liquido escorrega, é absorvido, e deixa de existir; sem o liquido, o solido é vazio e incompleto , existe, mas não vive.

Deite na terra e direcione o olhar em linha reta, agora diga o que vê: um céu azul, azul da cor do mar. Ora! O azul envolve, contorna, mas, apesar disso, não limita – faz o inverso: apresenta o horizonte, o querer insaciável e infinito que é capaz de mover (e move) qualquer ser humano.

domingo, 16 de agosto de 2009

Eu tinha resolvido ficar.

Sempre, em algum momento, você vai ter que escolher entre ir ou ficar. E tenha certeza, qualquer um deles vai magoar alguém e vai mudar sua vida bruscamente. Eu, particularmente, escolhi ficar. Talvez uns achem falta de coragem, ou comodismo, talvez outros achem independência e determinação. Mas o que importa é o que se passa dentro de mim, mais nada, e se me perguntarem o que eu acho: eu acho falta de coragem e acho determinação. Fiquei no meio. Acho uma decisão indecisa, mas cheia de vontade de arriscar. Confuso, eu sei. Dizem que quem não arrisca não petisca, e provavelmente seja nisso que eu tenho me agarrado pra tomar certas decisões. De um lado o colo eterno e cheio de carinhos de pessoas que me protegerão de tudo e de todos, sempre. Do outro, pessoas que me emprestam seus colos e seus ombros, seus choros e suas risadas, mas que de certa forma me mostraram que se eu cair vai depender de mim querer levantar, ou não. No final, todos nós nos separaremos, pais e filhos, irmãos e irmãs, os laços continuaram intactos, mas a ausência aumentará agora ou mais tarde. Resolvi dar inicio nela agora, em uma ausência cheia de presença, resolvi ficar. Sei que quem ficou longe um dia vai entender, e vai ter orgulho. Sei que em quem ficou longe vai doer, vai apertar, mas irá se conformar. Somos criados para o mundo e para as nossas próprias decisões. Resolvi me apresentar ao mundo. Resolvi me mostrar, resolvi tapas levar. Decidi por mim, pela minha felicidade, mesmo que custem algumas lagrimas em outros, e por mais que soe um pouco egoísta: decidi poupar algumas das minhas lagrimas. Ficarei comigo, com minhas certezas e incertezas, com minhas alegrias e tristezas, com meus amores e amigos, com o meu dia a dia e a minha rotina, com meu aprendizado continuo, com minhas dores e flores, com meu lirismo e romantismo, com minhas conquistas que serão infinitas enquanto durem, com minhas conquistas que serão infinitas para sempre. Ficarei com minha sinestesia. Ficarei com meu onirismo e meu sorriso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ready-made

O termo, ready-made, que fazendo a sua tradução literal “pré-feito” – chamado, dentro da publicidade, como “já pronto” – foi criado por Marcel Duchamp, e sua primeira obra, seguindo esse conceito, foi criada em 1913 (uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho – tendo a obra o título de “roda de bicicleta”), porém exposta, e apresentada como ready-made, apenas dois anos depois. A idéia que cada ready-made traz consigo é um pouco parecida com a essência do dadaísmo, onde ambas desejam expor que ‘arte’ para ser considerada arte faz necessária, apenas, uma assinatura e um local de exposição.

Em outras palavras, o ready-made é criado a partir de objetos que, ao primeiro olhar, realmente, não têm nenhum valor estético e, justamente, por isso interessam e são retirados do contexto no qual estão inseridos e transpostos a outras condições, e outras “utilidades” tendo como resultado final uma obra de arte. É necessário que se perceba que a arte criada no ready-made, e no dadaísmo, é feita para mostrar ao publico que arte não é apenas aquilo que é determinado pelas galerias, escolas e por outros artistas; arte é aquilo que cada um faz, e consegue transformar, desde coisas do cotidiano até grandes quadros (sendo que nem estes fugiram da arte de Duchamp, o quadro de Leonardo da Vinci, Mona Lisa, tornou-se fruto de um dos famosos ready-mades: onde Marcel Duchamp colocou bigode e um cavanhaque na dama, seguidos de uma frase abreviada que tinha escrito – em francês: “ela tem fogo no rabo”).

Entretanto, essa intenção de provar que arte não é apenas aquilo que todos estão acostumados a ver em museus e exposições de renome na história, teve início com a proposta Kantiana de mostrar que a estética não era tudo em uma obra de arte. Antes de qualquer coisa, fazia-se necessário ter um conceito, um objetivo, não apenas que fosse belo – o qual Kant deixa claro que vai muito além do que é perceptível ao olhar humano, ela envolve todos os sentidos, todo o contexto; beleza não está diretamente ligado a estética, muito menos a arte; beleza é sinestésico, assim como as obras de arte.

Atualmente, o conceito ready-made apresentado por Duchamp é utilizado nos mais diversos meios, entre eles, encontramos a publicidade – onde criadores e redatores buscam frases, textos, imagens e musicas que já foram expostas, e aplicam a elas uma outra “função”, inserem-nas em um outro contexto, conseguindo desta forma prender a atenção do seu publico alvo. Assim pode ser comprovado a união entre as artes e a comunicação: “Se lembrarmos que a intenção de Duchamp com seus ready-mades era anestesiar os objetos esteticamente, não nos parece exagerado cogitar que o ‘já pronto’ é adotado pela publicidade para anestesiar a memória do publico, ratificando os valores e as crenças do grupo social que enuncia a mensagem. Associar um produto, serviço ou marca a um enunciado fundador – que tem o status de citação de autoridade – é, certamente uma ótima tática para influenciar os consumidores”.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu não sei, só sei que foi assim.

Só sei que é assim. As coisas vem e vão e o que nos resta é a saudade. É a falta que faz, é a vontade de quero mais. Fechar os olhos e ver tudo, exatamente, como um filme sem poder entrar nele novamente, ter que esperar o próximo capitulo. Conversar com o tempo e tentar convencê-lo de que ele está errado: quando é pra passar rápido, passa devagar, quando é pra passar devagar, passa rápido demais. Assistir o relógio contar as horas e você o minuto, assistir seus próprios momentos de nostalgia e sorrir, sorrir e rir.