Querer. Pela gramática: verbo transitivo direto, ou seja, necessita de um complemento. O que angustia é o fato desse complemento nunca parecer completo. É certo que essa é uma enorme contradição, mas nem sempre o complemento é realmente aquilo que, realmente, falta. Querer, deveria ser em vez de transitivo direto, transitivo infinito. Talvez grande parte concorde que ao alcançar aquilo que é desejado a pessoa torna a querer mais alguma coisa. Logo, apesar do complemento, ela não esta completa. Dois bons exemplos para tanto complemento e para tanto querer são: se você quer muito alguém e consegue conquistá-lo, o seu desejo de querer passa a ser que aquilo continue – que seja infinito enquanto dure; ou então se você quer muito um emprego e o consegue, você passa a querer ser mantido nele e ser promovido – quando possível, e que esse possível seja logo. Talvez não seja por um simples acaso que Edgard Scandurra tenha escrito uma música com o titulo de: “Eu quero sempre mais”, possa ser que ele já tenha percebido que o ser humano é insaciável.
A madrugada castiga aqueles que nela insistem permanecer de olhos abertos, ela foi feita para dormir. Por isso, talvez, seja o momento em que o homem reflete mais sobre sua vida, e todas as frases que se passam na sua mente têm inicio com o verbo: querer. O próprio desejo de dormir, já é um querer. Apesar de insaciável, o querer permite que jamais se estacione. O querer exige o movimento, a vontade de viver, de crescer, de mudar e de inovar. Então, pela lógica, querer além de ser insaciável, é evolução, é uma metamorfose ambulante. Aquele que já não quer, não vive. Simplesmente existe. O ser humano não foi feito apenas para existir, pois quem existe é apenas mais um, e se o homem é o único dos animais quem tem o poder da fala e do raciocínio, com certeza não foi feito para ser apenas mais um. Há quem diga que querer – quereria, queria, quero, querei, quererei – é enfático demais. Melhor seria afirmar que este é um dos, se não o mais, verbos mais imponentes da língua portuguesa.
Enfim, já que querer é mudança constante, uma vontade que não tem fim, pode-se dizer, e escrever, com todas a letras que o verbo querer é sim um verbo infinito. Aquele que não tem complemento suficiente para complementá-lo. Leva a organizar idéias, desejos e vontades, obriga a achar soluções para poder ser saciável. Impõe outros verbos e outras ações a se encaixarem ao seu complemento. Traduz de forma clara e simples que todo o período de existência de uma vida, na verdade é um simples e complexo querer. Um querer infinito.

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