terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ready-made

O termo, ready-made, que fazendo a sua tradução literal “pré-feito” – chamado, dentro da publicidade, como “já pronto” – foi criado por Marcel Duchamp, e sua primeira obra, seguindo esse conceito, foi criada em 1913 (uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho – tendo a obra o título de “roda de bicicleta”), porém exposta, e apresentada como ready-made, apenas dois anos depois. A idéia que cada ready-made traz consigo é um pouco parecida com a essência do dadaísmo, onde ambas desejam expor que ‘arte’ para ser considerada arte faz necessária, apenas, uma assinatura e um local de exposição.

Em outras palavras, o ready-made é criado a partir de objetos que, ao primeiro olhar, realmente, não têm nenhum valor estético e, justamente, por isso interessam e são retirados do contexto no qual estão inseridos e transpostos a outras condições, e outras “utilidades” tendo como resultado final uma obra de arte. É necessário que se perceba que a arte criada no ready-made, e no dadaísmo, é feita para mostrar ao publico que arte não é apenas aquilo que é determinado pelas galerias, escolas e por outros artistas; arte é aquilo que cada um faz, e consegue transformar, desde coisas do cotidiano até grandes quadros (sendo que nem estes fugiram da arte de Duchamp, o quadro de Leonardo da Vinci, Mona Lisa, tornou-se fruto de um dos famosos ready-mades: onde Marcel Duchamp colocou bigode e um cavanhaque na dama, seguidos de uma frase abreviada que tinha escrito – em francês: “ela tem fogo no rabo”).

Entretanto, essa intenção de provar que arte não é apenas aquilo que todos estão acostumados a ver em museus e exposições de renome na história, teve início com a proposta Kantiana de mostrar que a estética não era tudo em uma obra de arte. Antes de qualquer coisa, fazia-se necessário ter um conceito, um objetivo, não apenas que fosse belo – o qual Kant deixa claro que vai muito além do que é perceptível ao olhar humano, ela envolve todos os sentidos, todo o contexto; beleza não está diretamente ligado a estética, muito menos a arte; beleza é sinestésico, assim como as obras de arte.

Atualmente, o conceito ready-made apresentado por Duchamp é utilizado nos mais diversos meios, entre eles, encontramos a publicidade – onde criadores e redatores buscam frases, textos, imagens e musicas que já foram expostas, e aplicam a elas uma outra “função”, inserem-nas em um outro contexto, conseguindo desta forma prender a atenção do seu publico alvo. Assim pode ser comprovado a união entre as artes e a comunicação: “Se lembrarmos que a intenção de Duchamp com seus ready-mades era anestesiar os objetos esteticamente, não nos parece exagerado cogitar que o ‘já pronto’ é adotado pela publicidade para anestesiar a memória do publico, ratificando os valores e as crenças do grupo social que enuncia a mensagem. Associar um produto, serviço ou marca a um enunciado fundador – que tem o status de citação de autoridade – é, certamente uma ótima tática para influenciar os consumidores”.

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