segunda-feira, 29 de junho de 2009

A beleza está nos olhos de quem vê.

Todos os homens são iguais, todos os homens têm o mesmo poder de raciocínio. O homem é animal racional. Tendo poder sobre a razão, sabendo utilizá-la, qualquer sujeito é capaz de obter o conhecimento universal e necessário das coisas. O "conhecer" está ligado às sensações que por ai existem, porém estas não são estritamente necessárias.

Anterior a Immanuel Kant, a beleza, para ser alcançada, fazia necessária a existência de um conceito. Não apenas existir, ao contrario, para poder existir era preciso estar embasada em algum conceito. Para Kant uma coisa era "conceito" e outra, completamente diferente, chamava-se "estética" (percepção ao sensível) e para tal não existe nenhum conceito que defina o que é ou não belo, o que define a qual categoria de beleza algo se encaixa são os sentimentos pessoais de prazer ou não. Talvez seja, importante explicar a diferença entre "sentimento" e "sensação" segundo a linha Kantiana, "sentimento": está diretamente ligado a autopercepção do homem, pode-se dizer que o momento determina o sentimento; "sensação": encaixa-se nos sentidos pertencentes ao homem quando em contato com o mundo exterior. Kant dividiu o prazer em três espécies, a primeira: agradável, está diretamente ligado ao conceito de "sensação" imposto por Kant; a segunda: bom, onde entra o prazer moral, absoluto ou até mesmo relativo; e a terceira: beleza, não tem ligação com nenhum conceito e com nenhuma sensação, ou seja, é desinteressada, é um juízo de gosto puro. Os dois primeiros tipos de prazer (agradável e bom) estão intrínsecos ao mundo material, e na arte essa certeza que as coisas materiais, e palpáveis, passam, não é considerada como fonte de prazer. O que faz algo ser belo é a maneira que a contemplamos em si, não a sua carga conceitual. O prazer ligado ao belo, segundo Kant, nasce da relação entre a imaginação e o entendimento. Sendo que a primeira é responsável diretamente pela produção de imagens na mente do ser humano, e pela intuição, e a outra é dona da produção de conceitos. Posto isso, quando algo é belo, sua beleza não é dada pela sua materialidade, e sim pela sua forma, pela maneira que cada ser contempla tal coisa. As sensações que as coisas materiais passam para cada um não são relevantes, não determinam a beleza de algo, mas sim os sentimentos causados, a contemplação causada. Entretanto, é necessário existir na sua forma, para torna-se bela, uma finalidade que não deixe transparecer o seu fim determinado.

"Conforme a fim", segundo Kant, esta conformidade se direciona quando o conceito existente é pensado e analisado para tornar-se causa, para ser o motivo real da existência de algo. Mesmo havendo um conceito, não se percebe o fim a que o objeto está direcionado. Apesar disto, a causalidade continua dominando a beleza; a conformidade a fim é dada não através da busca através da imaginação pelo entendimento, mas sim pela reflexão natural, pelo sentimento - o qual não se pode achar uma linha lógica para poder-se explicar, o qual onde os conceitos embora existam, simplesmente jamais se encaixarão. O que determina a beleza infinita de um objeto, não o próprio em si, mas sim o seu observador, o sujeito utiliza o dom de sentir, de obter um sentimento relativo à para poder determinar a beleza de um dado objeto. O fato de ser belo não é qualidade, em si, mas antes de tudo é ser reconhecida pela percepção de cada um. A imaginação ao conseguir estruturar e unificar as milhares de partes que foram fragmentadas pela materialidade das sensações, e mesmo unificadas não ser possível descobrir o conceito que rege a sua causalidade, pode-se dizer então que a "imaginação" e o "entendimento" estão em simetria e esta tende a se manter, apenas para que o sentimento de prazer continue apenas por ser prazeroso. Esta relação é chamada, por Kant, de "livre jogo", pois os dois lados cedem de maneira equilibrada sem nenhuma forma de submissão - conseguindo deixar os dois lados com o mesmo nível de importância. Apesar da imaginação ser completamente livre, não está liberta de ter nenhuma influencia.

Kant afirma que o juízo de gosto não é baseado em conceito algum. Isto se deve ao fato de que para ser belo é necessário ser puro, e para ser puro não se pode ter embasamento algum em cima de qualquer conceito, nem ao seu fim, muito menos se sua intenção foi alcançar a perfeição. Immanuel Kant dividiu a beleza em dois aspectos: a beleza livre e a beleza aderente. A primeira ele relaciona com a própria natureza, com as músicas sem letra, com coisas que "não representam nada", que não estão sob um determinado conceito. A beleza aderente se encaixa onde se pressupõe um conceito de que o objeto "seja", ou a sua perfeição, ou até mesmo que o objeto "seja" e alcance a sua perfeição, para esta Kant dá o exemplo do próprio ser humano, ou de uma construção. Acontece que em algumas situações são encontradas as duas belezas juntas, em paralelo, mas é necessário ressaltar que o juízo de gosto antecede qualquer outro juízo. Dando-se que o plano a ser trabalhado é da lógica e não o temporal, possibilitando, assim, a simultaneidade do sentimento de prazer com o reconhecimento do objeto, não tirando do objeto a sua pureza por ter-se buscado o entendimento - não se torna necessário descobrir o fim de um objeto para julgá-lo belo ou não, o livre jogo se mantém. O que faz diferença entre os dois tipos de beleza na verdade é simplesmente o seu conceito de fim, se o objeto teve ou não finalidade de tornar-se aquilo que é. Apesar de algo ter um "conceito de fim" este pode-se vir a ser um objeto dono de uma conformidade a fim sem fm, ou seja, o objeto pode ser trabalhado, diferente de outros que sigam sua mesma linha, mas o seu conceito e a sua finalidade continuam iguais, apenas muda a sua forma de concepção.

Conformando-se ao conhecimento de um objeto possível, a Arte cumpre somente as operações necessárias para realizá-lo, diz-se que ela é a Arte mecânica; se, porém, tem por fim imediato o sentimento do prazer, é a Arte estética. Esta é a Arte aprazível ou bela. Arte é aprazível quando sua finalidade é fazer que o prazer acompanhe as representações enquanto simples sensações; é bela quando o seu fim é conjugar o prazer às representações como forma de conhecimento” Immanuel Kant.

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