Todo dia vou dormir com um sol me observando. Ele é dono de dois olhos extremamentes bem desenhados, como fossem feitos por um compasso, e bem pintados de preto. São fixos. Todo dia encaro aquele que me observa, aquele que diz saber o que penso durante os sonhos. Toda noite, ao me olhar, me conta uma nova história sobre mim mesma. Toda noite, divide comigo, os meus próprios pensamentos e me estimula a escrevê-los. É um sol bem amarelo - talvez por isso tamanha simpatia com tal objeto, talvez culpa desta nossa leve semelhança. Existem aqueles que têm amigos imaginários, não eu. Tenho um sol presente nas minhas noites, e que nada sai da sua sorridente boca, mas que é responsável (e co-autor) de diversas histórias que alimentam a mente que o encara. É, realmente, possível afirmar que essa rotina, um pouco meio que autista, tem lá o seu "Q" de interessante. Quando, na santa imaginação, poderia-se prever um ser estimulado por um "sol"?! Pelo racional, nunca. Mas não sou movida pela razão, nunca fui e não faço esta questão. Não julgo quem a faz. Entretanto, talvez sejam as palavras, o meu lado racional - o outro, o que me move, este, é o que conversa com o simpático sol amarelissímo e que entende que é necessário transbordar conjuntos e mais conjuntos de letras, para que assim, desta maneira, aqueles que invertem a lógica apresentada (aqueles que são a razão em forma de gente) consigam entender que sentir, e sonhar vale mais do que qualquer criação lógica e previsível.
domingo, 19 de julho de 2009
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