O mundo é feito de contradições, e eu sou mais uma delas. Sempre me contaram que a vida é feita de escolhas, e que cada escolha é uma renúncia. Confesso que nunca entendi bem isso, pra mim tudo era muito simples: ou é ou não é. Aprendi que não era dessa forma, e da “pior maneira”. Desde criança tinha uma meta, talvez a mais clara até hoje, arquitetura seria a minha profissão. E graças a ela eu descobri que tudo tem dois lados e que você tem (obrigatoriamente) escolher um. Até o terceiro ano era tudo muito fácil, era uma proteção exagerada por todos os lados, eram muitas mãos para não te deixar cair, e que se escorregasse te levantavam em um piscar de olhos. Faculdade é sinônimo de independência, ou pelo menos uma tentativa de. Foi o que aconteceu comigo. Após um ano e meio de curso comecei a ver as coisas de outra forma, amadureci bruscamente, mas de maneira tão brusca que nem percebi acontecer. Então, em paralelo com a independência dependente da faculdade, veio a responsabilidade de morar só. Tenho que admitir: nunca pensei que fosse tão complexo. Não que seja difícil, mas complexo mesmo. São muitas decisões ao mesmo tempo, sendo que você não deixa de viver por causa disso, pelo contrario, passa a fazer parte da sua vida, da sua rotina – e que rotina. Por mais que digam que não moro só, eu não me convenci disto ainda, até porque a pessoa que mora comigo, ora é um simples estranho, ora é uma amiga maravilhosa, ora é presente, ora é ausente – e como havia dito: na vida ou é ou não é, meio termo é parte mais difícil de se encontrar, e nesse caso não existe, pois ou você ama ou não, não existe “meio amar”. Tomar conta de uma casa, tentar deixá-la em ordem, e continuar a ter vida normal é tarefa para heróis, geralmente heroínas. Agora, de maneira perpendicular a independência dependente da faculdade, e a responsabilidade de morar só, vem a falta de dependência financeira. E cá pra nós, essa é a pior parte. Ao mesmo tempo em que você pode tudo, você não pode nada, afinal quem vai pagar não é você, tenha certeza. Cada dia que passa mais entra na minha cabeça que dinheiro não trás felicidade, não é tudo na vida, mas que é essencial e que tudo fica mais fácil e simples com ele, isso é fato. Acompanhe o raciocínio: a faculdade é particular, a faculdade é de arquitetura o que implica em milhões de trabalhos de custo elevado, para chegar até a faculdade é necessário um meio de locomoção – neste caso, um carro – e seja qual for, este precisa de gasolina (o que também, nos dias atuais, não é nada barato), em paralelo vem a necessidade de ter algo para comer, vem o que uns diriam que é fútil, mas eu prefiro chamar de higiene e cuidado com a aparência: fazer as unhas. E tangente a tudo isso, vem a vida social. Antes de fazer arquitetura, nenhum arquiteto me contou que quem escolhe essa profissão deixa de ter vida social, e se não deixa sofre uma queda brusca. Pode por brusca nisso. E não existe melhor satisfação do que entregar um trabalho e depois sair simplesmente para dizer: acabei, ufa. É um alivio indescritível e um prazer absurdo. Enfim, quer saber o resultado dessa geometria toda? Vai tentar dormir, que você descobre. Seus dedos viram maquina de calcular e sua hora que deveria ser sagrada para descansar, vira a hora de somar, dividir, multiplicar, subtrair, organizar, planejar e fazer um cronograma enorme que envolve: finanças, faculdade, vida social, saúde, e sono. E te digo, este ultimo é o que mais sofre. Agora a confissão mais dolorosa: ser adulto é COMPLICADO demais, para minha cabeça adolescente.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Vida de arquiteto solitário e dependente.
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